A avó e o amor
Apresentação
Produções da Avó

Uma longa-metragem escrita e realizada por Raul Veiga Com Francisca Sobrinho, Tiago Araújo e Xosé Barato

A avó e o amor

A nossa avó vivia como quem escreve, fazia de cada dia um conto sem final.

Esta longa-metragem é um milagre realizado. Afirmamo-lo sem reservas, depois de termos contornado todos os obstáculos resultantes de não contarmos com nenhum dos apoios do costume. Sem deixar de ser um filme vincadamente autoral (o realizador Raul Veiga também escreveu o guião), nunca esquece a função primeira de toda a criação artística: ser, em termos clássicos, promessa de prazer.

A filmagem teve lugar, em português e galego, em Ponte de Lima e as suas redondezas (nomeadamente, a Casa de Vilar de Rei, onde se situa a localização principal do filme), com algumas cenas na Galiza (Vigo). Seguiu-se uma longa pós-produção até agora, finalmente, podermos mostrar um filme de grande originalidade e realizado com impecável feitura técnica.

I · Sinopse
A avó e o amor
Produções da Avó
A felicidade não é anestesia.

Dois irmãos. Uma casa rural no norte de Portugal. Uma herança que é também um desafio.

Dois irmãos à volta dos trinta anos, Mafalda e Diego, depois de muito tempo sem contacto com a avó Pilar por discórdias na família, recebem como herança a casa rural em que ela morava no norte de Portugal, juntamente com um desafio surpreendente.

Na tentativa de responderem a esse desafio, os irmãos deslocam-se para a casa e lá vão encontrar o vínculo com o que significava o amor da avó. Deverão redescobrir quem eles são e o que querem fazer com o seu desejo, a sua vida e o seu futuro.

Serão capazes?

II · A Narração
Outros amarão aquilo que eu amei
Nota do realizador

Outros amarão aquilo que eu amei

Há uma avó ou um avô nos afetos de toda a gente, como há uma família, fonte das emoções mais marcantes e, por isso, cenário de conflitos e distanciamentos mais ou menos profundos.

Dois irmãos, Mafalda e Diego, após muito tempo sem contacto com a avó Pilar, ficam abalados quando o seu testamenteiro os chama para receberem a herança dela. É uma casa de campo em Ponte de Lima e algum dinheiro, mas com uma indicação chocante: esse dinheiro deve ser destinado a contarem uma história que perpetue a memória familiar, uma vez que Mafalda, como a avó, foi sempre uma grande contadora de histórias. É motivo com longa tradição: as mulheres como portadoras da memória.

A Mafalda vai um passo mais além e decide fazer a tal narração em forma de filme. Ora, esse desígnio, para poder ser cumprido, vai obrigar os irmãos a reformular a sua vida, em parceria com o namorado da Mafalda, Ricardo, ao mesmo tempo que lutam para contornar os imensos obstáculos que a produção cinematográfica levanta a outsiders como eles.

Uma relação entre irmãos como não lembramos na história do cinema

Para a Mafalda e o Diego, no processo de tentarem ser fiéis à vontade da Pilar, não se trata apenas de curar a ferida que abriu a rutura familiar acontecida após a morte acidental do pai deles; trata-se, sobretudo, de reencontrar as memórias da avó perdidas e agora recuperadas através da personagem de Domingos Martins, amigo da Pilar secretamente namorado dela, e assim dar a esta a única possível permanência, fazê-la vir à vida de Mafalda e Diego.

Este filme trata dos múltiplos caminhos do amor, o amor dos que nos precederam e nos deram a vida, o amor dos irmãos, o amor dos amantes e como todos eles configuram, através da família, a base e o princípio de qualquer comunidade. Daí a imensa significação que a casa da avó adquire para eles, até o ponto de se prenderem com ela e a fazerem sua, como desejava a Pilar.

Amor, identidade, memória

Ora, além de ser um canto à família, A avó e o amor é também um canto à fraternidade entre o norte de Portugal e a Galiza, porque o percurso das nossas personagens suscita as questões da identidade, tanto individual como coletiva, e da memória, tanto pessoal como social. No filme é citado um verso de Sophia de Mello Breyner Andresen que o expressa muito bem: "outros amarão as coisas que eu amei", aquilo que nos transmitem os nossos antecessores, uma casa, uma terra com um enorme poder de atração, uma língua, uma cultura e, também, o irresistível encanto das pequenas diferenças que enriquecem a nossa identidade, como, aqui, a relação entre Portugal e a Galiza, tão pregada quanto pouco cultivada.

Uma narração ágil e luminosa

Para dar forma a esta comédia dramática, era indispensável um elenco capaz de tornar as personagens em seres vivos e coube ao realizador, Raul Veiga, dirigi-los de modo que o filme se tornasse uma experiência empolgante para o público. Contámos assim com Francisca Sobrinho ("Mafalda"), Tiago Araújo ("Diego"), António Capelo ("Domingos Martins") e João Cardoso, mas também com alguns atores galegos, como Xosé Barato ("Ricardo"), já com longa carreira em Portugal. A direção de produção é responsabilidade de Marta Lima e, na equipa técnica, devemos salientar, ao pé das chefias portuguesas com destaque para a música de Paulo Pires, o nome de um conceituado colaborador habitual do realizador, Juan Carlos Gómez (mais de uma centena de créditos na IMDB), na direção de fotografia.

As cores dos cenários (responsabilidade de Jorge Lourenço) e o guarda-roupa (de Ana Isabel Nogueira) fazem sentir intensamente a presença do outono e a belíssima Ponte de Lima e, no geral, a paisagem minhota é o pano de fundo sobre o qual Mafalda, Diego e Ricardo, sob o olhar benévolo de Domingos Martins, encontram os caminhos da sua liberdade, numa narração ágil e luminosa, que desemboca num final surpreendente.

III · Galeria
Imagens do filme
IV · Ficha Técnico-Artística
A avó e o amor
Produções da Avó

Quem fez o filme

Género
Comédia dramática
Imagem
Cor, 4K
Som
5.1
Duração
97 min.
Língua do filme
Português, galego
Legendas
Espanhol, inglês, francês
Locais de filmagem
Navió (Casa de Vilar de Rei)Ponte de LimaVigo
Audiência
A partir de 12 anos
Com o apoio de
Adega Cooperativa Regional de Monção Câmara Municipal de Ponte de Lima
Com a colaboração de
Eben Studio Production Solares de Portugal

Elenco

MafaldaFrancisca Sobrinho
DiegoTiago Araújo
RicardoXosé Barato
Domingos MartinsAntónio Capelo
Paulo CondeJoão Cardoso
EmíliaMaria Barcala
RaulArtur Trillo
Matilde, a mãeIsabel Vallejo
Matias, o secretárioManu Fernández
Voz da avóElena Seijo

Equipa técnica

Realização e guiãoRaul Veiga
ProdutorManuel Mexuto
Direção de produçãoMarta Lima
Chefe de produçãoSara Marques
Direção de fotografiaJuan Carlos Gómez AEC
Direção de arteJorge Lourenço
Guarda-roupaAna Isabel Nogueira
SomMarta Mota|Sérgio Silva
CaracterizaçãoMarta Ramalho
MontagemGuillermo Represa|Pedro M. Afonso
MúsicaPaulo Pires
V · Realizador / Produtor
Raul Veiga
Biofilmografia
Raul Veiga

Filmografia

  • 2026A avó e o amor
  • 2018Contou Rosalia (guião)
  • 2014O médico certo
  • 1999Arde amor
  • 1994A metade da vida
  • 1989Continental (guião)
  • 1984Veneno puro (guião)

Raul Veigapseudónimo de Manuel Castelao Mexuto

Guionista, realizador e produtor de origem galega, nascido em 1956 e sediado no Porto. Não é simples resumir uma carreira que se estende por vários decénios, mas comecemos por dizer que, após uma atividade juvenil de filmes em formatos não profissionais, cineclubismo e trabalhos jornalísticos, deu-se a conhecer quando escreveu o badalado vídeo Veneno puro (1984), vencedor de vários prémios internacionais.

Passou ao grande ecrã com o guião da longa-metragem Continental (1989), hoje filme de culto, onde também trabalhou como escritor na filmagem e pós-produção. O guião do filme, juntamente com o material elaborado pelo autor para o elenco, foi publicado em 1991.

Trabalhou como assistente de realização nos anos de 1990-1991 e dedicou-se a produzir e realizar os seus próprios guiões a partir de A metade da vida (1994), única longa-metragem rodada em língua galega e com elenco galego nos papéis protagonistas durante o decénio de 90. O filme passou em muitos festivais internacionais e adquiriu forma final na edição restaurada e revisada do seu XXV aniversário (2019).

Arde amor (1999) foi a sua segunda longa-metragem como produtor, realizador e guionista. O filme mereceu múltiplos prémios internacionais, dois deles em festivais dos EUA. O realizador publicou numerosos artigos e depoimentos relacionados com este filme. Raul Veiga também tem praticado a crítica cinematográfica e a análise de filmes, trabalho de que resultou o livro sobre seis filmes clássicos Esta noite no cinema (2005), finalista do prémio de ensaio da AELGA.

Foi membro do júri em vários festivais internacionais, escreveu informes sobre a viabilidade da adaptação de obras literárias ao cinema e desenvolveu atividades pedagógicas relacionadas com os âmbitos da sua especialidade em Portugal e na Galiza. O documentário O médico certo (2014) é a anterior longa-metragem que escreveu, produziu e realizou, e inclui a dramatização de vários casos clínicos. Como guionista, o seu trabalho mais recente foi o telefilme Contou Rosalia (estreado em 2018), baseado na obra e na vida da famosa escritora Rosalia de Castro.

A avó e o amor (2026), produção vincadamente do Norte, é a sua última longa-metragem como realizador e guionista.

Para mais informação sobre outros aspetos da trajetória do produtor / realizador, ver Wikipedia.

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