Há uma avó ou um avô nos afectos de toda a gente, como há uma família, fonte das emoções mais marcantes e, por isso, cenário de conflitos e distanciamentos.
Dois irmãos, Mafalda e Diego, após muito tempo sem contacto com a avó Pilar, ficam abalados quando o seu testamenteiro os chama para receberem a herança dela. É uma casa de campo em Ponte de Lima e algum dinheiro, mas com uma indicação chocante: esse dinheiro deve ser destinado a contarem uma história que perpetue a memória familiar.
A Mafalda vai um passo mais além e decide fazer a tal narração em forma de filme. Esse desígnio, para poder ser cumprido, vai obrigar os irmãos a reformular a sua vida, em parceria com o namorado da Mafalda, Ricardo, ao mesmo tempo que lutam para contornar os imensos obstáculos que a produção cinematográfica levanta a outsiders como eles.
Trata-se sobretudo de reencontrar as memórias da avó perdidas e agora recuperadas através da personagem de Domingos Martins.
Além de ser um canto à família, A avó e o amor é também um canto à fraternidade entre o norte de Portugal e a Galiza, porque o percurso destas personagens suscita as questões da identidade, tanto individual como colectiva, e da memória, tanto pessoal como social.
As cores dos cenários e o guarda-roupa fazem sentir intensamente a presença do outono. A paisagem minhota é o pano de fundo sobre o qual Mafalda, Diego e Ricardo encontram os caminhos da sua liberdade, numa narração ágil e luminosa, que desemboca num final surpreendente.